segunda-feira, 29 de junho de 2009

Estrela da Fama


Eu queria ser uma atriz famosa. Uma atriz rica e sofisticada. Eu queria ser essa e ter uma casa deslumbrante em frente a praia e poder usufruir de bens materiais que muita gente não pode ter. Eu queria que meu quarto fosse virado para o mar e com uma sacada bem espaçosa, assim, quando eu acordasse poderia abrir a porta que dava para a sacada e sentiria o vento tocar meu rosto para me deixar arrepiada e olharia o mar me desejando um bom dia.

Eu queria ser uma atriz famosa, mas sou normal. Assim como as que não são atrizes famosas. Talvez haja algumas pessoas com todos esses recursos, mas, ainda assim, essas não são atrizes famosas que aparecem na televisão diariamente fingindo ser quem elas não são.

As vezes eu até penso se eu queria mesmo ser essa atriz que tem todos os bens materiais que ela deseja, mas não tem tempo suficiente para ver seus filhos, o marido. Não tem tempo para usufruir de sua casa aconchegante e luxuosa. As vezes eu até acho que sou mais feliz que essa atriz famosa.

Pensando bem, não quero ser uma atriz famosa e rica. Quero ser eu mesma. Quero acordar de manhã e ver que eu estou horrivel, com cara de sono, cabelo em pé, pijama amarelo com a manga rasgada. Quero tomar café da manhã na cozinha, reclamando que estou com sono e tenho que estudar. Quero olhar para a minha volta e ver que todos que estão por aqui, estão porque eu sou eu, e não porque eu sou uma atriz famosa e rica.

Ainda assim queria ser famosa porque escrever num blog nunca deu dinheiro e nem anúncios em jornais. Talvez não uma atriz, mas uma escritora famosa daria um bom dinheiro e eu poderia até sair na capa de uma revista. Não quero ganhar minha vida passando dois meses dentro de uma casa rodeada por câmeras e me expondo para todo o mundo.

Quero ser famosa dentro da minha casa, na frente do meu computador, deitada no sofá da minha sala, na frente da televisão do meu quarto e, principalmente, na frente da geladeira da minha cozinha.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ISSO DÁ CADEIA.


Se algum indivíduo demente, alienado, insensato, louco, ou como você quiser chamar, entrar em sua residência e roubar um aparelho de DVD novinho, um computador de tela plana, três biscoitos e um litro de leite, esse ladrão levará consigo seus bens materiais, mas se a polícia alcançá-lo a tempo, o mesmo será preso e condenado a não sei quantos anos de prisão.


Se algum indivíduo demente, alienado, insensato, louco, ou como você quiser chamar, entrar em sua vida e roubar sua felicidade, destruir seu sorriso, magoar seu coração e aniquilar sua alto-estima, esse ladrão sairá intacto dessa enrascada. Não haverá polícia, segurança, guarda ou algo desse mesmo género que o prenda. "Esse homem é inocente", diria o juiz em seu julgamento.


Nem uma guerra pode ferir tanto quanto uma traição. Uma dor externa, causada também por objetos do tempo, pode-se curar em algumas horas, alguns dias, semanas... Uma dor interna só a compreensão, as vezes nem isso, cura. Pensamos algumas vezes que um psicólogo cura nossa dor quando sentimos a presença dela em nosso peito. Isso é uma mentira. O psicólogo nos diz o que queremos escutar, ora, isso eu também sei fazer, quando estiver precisando pode me pedir ajudar que eu vou ajudar. Isso é fácil.


Quando alguém te agride dessa forma, onde não há pena de morte, prisão ou julgamento, a vontade que você tem é de chorar pela dor contida em seu peito naquele momento e logo em seguida agredir de uma mais bruta e vingativa o perpetrador. Vingança, doce vingança.


Quando nos enganamos, iludimos ou quando alguém nos engana, nos ilude, sentimos vontade de matar. De sumir. De fugir. De correr. Você, eu, nós, sentimos que perdemos as forças, o chão não tem a mesma firmeza e o dia não tem as mesmas cores.

Onde estaria agora o homem que roubou minha casa? Roubando mais uma casa.

Onde estaria agora o homem que roubou minha vida? Roubando mais uma vida.